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Vidros Portugueses & Companhia

Vidros Portugueses & Companhia

Jarra

Setembro 09, 2024

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Jarra, com cerca de 20,8 cm. de altura, produzida na fábrica de André Delatte (1887-1953), em Nancy, provavelmente durante a década de 1920.

 

Delatte iniciou um estúdio de vidro, em Nancy, no ano de 1919, onde os seus operários procediam à decoração de peças originárias da empresa Frères Muller. Em 1921 construiu o seu primeiro forno, passando a empresa a ter a denominação Verreries de l'Est.

 

Famosa também pelas suas peças decoradas a esmalte e, particularmente, pelas suas jarras de influência persa, com base bulbosa e longo colo, denominadas berluzes pela Daum mas apelidadas de galinettes por Delatte, a empresa acabou por encerrar em 1933 e ser liquidada em 1938.

 

 

 

Modelos como este, com peças esculpidas a ácido e preenchimento dos sulcos a dourado, eram semelhantes a alguma da produção Daum realizada na mesma época.

 

O enorme sucesso das berluzes denominadas galinettes, a angariação de operários especializados oriundos da Daum e a semelhança de jarras como esta, terão sido as razões para a Daum ter interposto uma acção legal contra a Delatte, por eventual plágio do formato berluze, que parece não ter tido êxito.

 

 

 

O industrioso e versátil Delatte, que havia começado como comerciante de tapeçaria e banqueiro, para alcançar fama e sucesso na indústria vidreira, abandonou a região de Nancy em 1937, mudando-se para a Provence, onde passou a desenvolver acção como corrector de seguros, acabando por falecer, de ataque cardíaco, durante uma deslocação a Toulouse.

 

 

 

© Vidros & Companhia

Jarra

Setembro 03, 2024

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Jarra, com cerca de 25,1 cm. de altura, em vidro cor de mel, com gravações a jacto de areia e à roda, ostentando motivos florais estilizados ao gosto Art Déco.

 

 

 

Conhecem-se peças de igual formato com diferentes dimensões e diferentes motivos florais estilizados, bem como variantes de cor azul e verde.

 

Esta jarra foi indubitavelmente produzida na Marinha Grande.

 

 

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Jarra

Abril 22, 2024

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Jarra moldada, com cerca de 15,6 cm. de altura, ostentando decoração minimalista com filetagem a azul e dourado, no exterior, e escorrido branco no interior, entre duas camadas de vidro transparente.

 

 

 

Como já foi referido, as jarras com estas protuberâncias, repetidas e concêntricas, são características da produção vidreira Art Déco da Marinha Grande, remetendo quer para as lanternas orientais e as lanternas dos Santos Populares, celebrados em Junho, quer para alguma gramática iconográfica associada à Machine Age.

 

 

 

A pequena jarra apresentada acima, com cerca de 8,8 cm. de altura, ostenta punção de prata portuguesa de 2.º toque (833 milésimas), na variante da marca octogonal aplicada no Porto e correspondente ao período de 1938 a 1984, e ilustra a tendência fomal das protuberâncias circulares aplicadas em várias peças decorativas e funcionais do período Art Déco.

 

 

 

© Vidros & Companhia

Jarra

Abril 04, 2024

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Jarra, com cerca de 18,6 cm. de altura, ostentando decoração floral pintada à mão e complementos a dourado, no exterior, e escorrido bicromático, azul e branco, no interior, entre duas camadas de vidro transparente.

 

Esta técnica encontra-se documentada na produção vidreira da Marinha Grande da década de 1930, sendo, no segundo quartel do século XX, também uma produção comum à da fábrica francesa de Clichy.

 

 

 

Esta técnica, reminiscente da mais refinada zwischengoldglas (literalmente, ouro entre duas camadas de vidro) setecentista, surge com mais frequência, na produção da Marinha Grande, em tons interiores de verde e branco, que também é a combinação mais vulgar na produção de Clichy.

 

Tal como se verifica nas peças de Clichy, existem vários formatos de jarras da Marinha Grande que combinam esta técnica decorativa com um, dois ou mais anéis exteriores moldados em relevo, formatos esses que são bem característicos da produção Art Déco.

 

Este estilo afirma-se aqui, essencialmente, através da exuberância cromática e da gramática floral, reminiscente daquela que a inglesa Clarice Cliff (1899-1972) aplicou na sua cerâmica e que, em Portugal, ecoa também em alguns dos motivos florais da Fábrica de Loiça de Sacavém.

 

 

 

© Vidros & Companhia

Jarra

Fevereiro 02, 2024

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Jarra moldada em vidro de três camadas, com cerca de 21,5 cm. de altura, concebida por Pierre d'Avesn (Pierre Girre, 1901-1990), famoso designer que colaborou com as conceituadas empresas Lalique, onde criou algumas das mais famosas peças não assinadas por René Lalique (1860-1945), Daum, Verlys e Sèvres/Choisy-le-Roy.

 

As decorações florais em estilo Art Déco, como esta, contribuíram grandemente para a consagração de Pierre d'Avesn, embora este seja um artista que também produziu peças representando animais e criou composições mais abstracizantes e geométricas. 

 

 

 

Na maior parte dos casos, Pierre d'Avesn colaborou com estas empresas sem ter direito a assumir publicamente a autoria das suas criações, mas durante a segunda metade da década de 1920 trabalhou por conta própria e, a partir de então, muitas das peças passaram a ostentar o seu nome.

 

Conhecem-se outros exemplares, com este design e também com três camadas, em vidro cor de âmbar e em vidro branco translúcido e fosco.

 

 

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Pote com tampa

Janeiro 06, 2024

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Pote com tampa, medindo cerca de 24,5 cm. de altura, em vidro castanho com decoração a esmalte policromado e complementos a dourado.

 

Apresentando decoração floral estilizada ao gosto Art Déco, este pote ilustra a rara e escassamente conhecida produção da fábrica Marquês de Pombal, na Marinha Grande, documentando ainda o seu logótipo.

 

Esta fábrica foi estabelecida durante a I República, em 1914, embora apenas tenha começado a laborar em 1917, e contou com a inusitada participação do poeta Afonso Lopes Vieira (1878-1946) enquanto seu co-fundador e sócio, conjuntamente com António José de Magalhães Júnior. Neste período a direcção esteve a cargo de João Magalhães Júnior, sobrinho do anterior. Posteriormente passou a integrar a Crisal e a Vicris.

 

Um dos nomes maiores dos artistas, artesãos e técnicos que passaram pela fábrica Marquês de Pombal foi o de Acácio das Neves Morais Matias (1898-1954), cuja mestria o levou a colaborar com diversas outras fábricas de vidro, nacionais e estrangeiras.

 

 

 

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Garnizé

Novembro 20, 2023

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Pequeno pisa-papéis, com cerca de 9,5 cm. de altura, representando um garnizé, ou galo anão.

 

Esta figura, originalmente com cerca de 21 cm. de altura e denominada Coq Nain, foi concebida em 1928 pelo célebre joalheiro e designer de vidro René Lalique (1860-1945), como complemento para as tampas de radiador dos veículos automóveis.

 

Produzida pela empresa pelo menos até à década de 1950, em diversas cores translúcidas – ametista, azul ultramarino, branco, esta escultura foi entretanto copiada por outras fábricas europeias que a produziram como pisa-papéis de menores dimensões, havendo notícia de um exemplar verde malaquite opaco, com medidas semelhantes às do exemplar aqui apresentado, produzido pela conceituada fábrica checoslovaca Moser.

 

A firma Lalique produziu também pequenas esculturas de dimensões semelhantes, variando entre cerca de 6 e 11,5 cm. de altura, com uma base circular seccionada para permitir a inserção de cartões e o seu uso como identificadores de mesa ou porta-menus, reproduzindo diferentes aves e peixes.

 

Esta peça azul não se encontra assinada, mas provavelmente terá sido fabricada na Marinha Grande, pois conhecem-se outros pisa-papéis semelhantes, representando animais – um bulldog e uma lebre, similar à desenhada também por Lalique, mas com base hexagonal, atribuídos à sua produção.

 

Se bem que com outros motivos, os pisa-papéis representam uma tradição vidreira portuguesa que remontará pelo menos ao século XIX, tradição posteriormente ilustrada por, entre muitas outras peças, um pisa-papéis alusivo à figura da República, executado provavelmente já na década de 1930, e depois documentada, já dentro da gramática Art Déco, por um elefante estilizado alusivo à Exposição Colonial Portuguesa, realizada no Porto, em 1934, e por um outro exemplar, representando uma nau, que terá sido concebido para a Exposição do Mundo Português, realizada em Lisboa no ano de 1940.

 

 

 

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