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Vidros Portugueses & Companhia

Vidros Portugueses & Companhia

Golfinho

Fevereiro 04, 2025

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Figura de peixe, ou golfinho, com cerca de 10,2 cm. de altura e 10,6 cm. de comprimento.

 

Embora o formato, semelhante ao de um golfinho estilizado, e a temática marinha desta peça se aproximem das tendências do vidro de Murano, o facto de a base não surgir polida afasta essa hipótese de origem e induz muitos coleccionadores e especialistas a considerarem que esta figura será chinesa.

 

No entanto, como se comprova pela peça anterior, nem toda a produção vidreira com bases não polidas é de baixa qualidade, ou de origem chinesa, podendo até ser que esta figura de peixe, ou golfinho, seja de origem europeia ou até mesmo portuguesa.

 

 

© Vidros & Companhia

Perú

Dezembro 31, 2024

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Figura de perú com cerca de 7 cm. de altura e 3,7 cm. de comprimento.

 

Note-se como esta peça não apresenta, em todo o seu corpo, a frágil leveza de outras peças produzidas ao maçarico que têm sido aqui apresentadas.

 

A massa corporal que altera esse aspecto apresenta um pormenor que, para alguns especialistas e coleccionadores, indica uma proveniência chinesa – o facto de a sua base não se encontrar polida.

 

Esta asserção, contudo, não deve ser tomada como definitiva, embora tal detalhe possa eliminar a hipótese de as peças com este acabamento menos cuidado serem originárias de Murano.

 

Também não será de excluir, em absoluto, a possibilidade de esta ser uma produção portuguesa.

 

 

 

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Garça

Outubro 06, 2024

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Figura de garça com cerca de 33,8 cm. de altura.

 

Conhecem-se variantes desta figura com diferentes alturas e em diversas cores – amarelo, azul, laranja, lilás, verde água e verde garrafa.

 

 

 

O facto de a massa vítrea destas figuras ser trabalhada livremente, sem molde, faz com que dificilmente se encontrem dois exemplares exactamente iguais, quer nas dimensões, quer na torção e posição relativa da parte superior corpo.

 

É muito provável que estas figuras sejam originárias da Marinha Grande, o que se coaduna com o facto de muitas destas variantes aparecerem com maior frequência em alguns antiquários e coleccionadores da região.

 

 

 

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Abelha

Setembro 15, 2024

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Figura de abelha, com cerca de 1,7 cm. de altura e 3,2 cm. de comprimento, da autoria de Adriano Mesquita (n. 1941).

 

Portugal tem uma larga tradição em peças de vidro realizadas ao maçarico, com um período de particular expansão entre as décadas de 1950 e 1970, quando estas peças apareciam com frequência, de norte a sul do país, em feiras e romarias.

 

Inúmeros artesãos dedicam-se ainda hoje a esta manufactura, como já foi referido, aproveitando-se este artigo para homenagear a arte de mestre Adriano Mesquita através desta peça e de uma imagem, que se reproduz abaixo, registada na Marinha Grande, em Agosto de 2023.

 

Adriano Mesquita iniciou-se no labor do vidro com 10 anos, na empresa Joaquim Ferreira. Aos 12 trabalhou durante algumas semanas na fábrica Ricardo Gallo, de onde transitou para a Manuel Pereira Roldão & Filhos Lda. Ali trabalhou até 1978, já como 1.º ajudante marisador, quando passou a dedicar-se a tempo inteiro à arte de moldar o vidro ao maçarico.

 

Participou regularmente em inúmeras feiras de artesanato, nacionais e internacionais, tendo ainda sido um dos artesãos cuja obra integrou a exposição Mestres da Marinha Grande  Artesanato de Maçarico, realizada no Museu do Vidro da Marinha Grande, entre Dezembro de 2009 e Maio de 2010. 

 

Veja-se um pequeno artigo brasileiro sobre Adriano Mesquita, e outras peças do autor, aqui: https://vidrado.com/noticias/arte-em-vidro/toda-a-tradicao-da-arte-em-vidro-portuguesa-por-adriano-mesquita/.

 

 

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Peixe

Maio 29, 2024

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Figura de peixe com cerca de 7,7 cm. de altura.

 

Embora o artesanato de maçarico tenha grande tradição na Marinha Grande, a combinação cromática e a gramática morfológica desta peça não parecem corresponder à produção da maioria dos mestres marinhenses habitualmente ligados à criação de animais, como Adriano Mesquita (n. 1941), Almiro Morgado (n. 1934), Álvaro Cruz (n. 1935), Armindo Martins (n. 1959), José Soares (datas desconhecidas), Manuel Craveiro (n. 1948) ou Vítor Rodrigues (n. 1964).

 

O retorcido do corpo e a combinação das diversas cores, no entanto, aproximam esta peça da produção do renomado mestre marinhense Mário Macatrão (Mário Rolando da Silva Marques, n. 1931).

 

Ainda assim, não é possível asegurar que esta peça seja de origem portuguesa.

 

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Peixe

Maio 15, 2024

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Figura estilizada de peixe, com cerca de 7,5 cm. de altura e 24,8 cm. de comprimento.

 

A exemplo da figura de rã anteriormente apresentada, esta peça, que tem a referência 1440, foi criada por Věra Lišková (1924-1985) para a fábrica Moser (https://www.moser.com/en/about-moser), na então denominada Checoslováquia, tendo sido exibida com grande sucesso na exposição mundial de Bruxelas, em 1958.

 

Tal como já foi referido (https://vidrosecompanhia.blogs.sapo.pt/ra-8324), uma característica técnica que marca esta figura, peça que hoje em dia é uma das raridades das figuras animais produzidas na Moser durante a segunda metade do século XX, reside no facto de ter sido realizada em vidro com óxido de neodímio, o que faz com que este varie de cor (neste caso, azul, turquesa, lilás) em função do tipo de luz e da incidência desta.

 

O Museu de Artes Decorativas, em Praga, República Checa, ostenta no seu acervo uma peça similar a esta.

 

 

 

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Pato

Março 01, 2024

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Pequena figura em cristal sem chumbo representando um pato, com cerca de 10,2 x 7,2 cm., eventualmente produzida no Estúdio Jasmim, Marinha Grande, que seguiu muito de perto alguma da produção italiana de Murano.

 

Embora esta figura não tenha sido realizada a partir de tubos ou varetas, como acontece nas pequenas peças produzidas ao maçarico, mas sim a partir de um pequeno aglomerado de cristal fundido, exemplifica uma técnica comum aos dois produtos finais, consistindo na utilização de pinças para alongar e formar a cauda, as asas, o pescoço e o bico.

 

Por outro lado, quando normalmente temos pequenas excrescências coloridas adicionadas ao corpo principal da pasta vítrea, para obter os olhos na maioria da peças de maçarico, verificamos nesta peça que os mesmos são sugeridos através de concavidades resultantes de uma compressão da pasta.

 

Note-se como a inserção de uma pequena mancha castanha, translúcida, no corpo cristalino acentuou a tridimensionalidade da peça e lhe veio conferir a possibilidade de obter um efeito quase caleidoscópico durante o seu manuseamento.

 

A fábrica italiana Campanella, de Murano, comercializou figuras muito semelhantes, quer na morfologia, quer nas dimensões, quer na inserção de manchas coloridas, mas estas, ao contrário do presente exemplar, ostentam uma massa vítrea adicionada ao corpo da figura, servindo de base e concedendo-lhe maior estabilidade, um detalhe distintivo e característico, aliás, de muitas figuras animais produzidas nesta região veneziana.

 

A fábrica Nason, da mesma localidade, fabricou também figuras similares, sem base, mas a sua morfologia geral não se aproxima tanto deste exemplar como as figuras Campanella.

 

 

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Janeiro 13, 2024

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Figura estilizada de rã, com cerca de 10,5 cm. de altura e 14 cm. de comprimento.

 

Embora não apresente qualquer marca, esta peça foi criada por Věra Lišková (1924-1985) para a fábrica Moser (https://www.moser.com/en/about-moser), na então denominada Checoslováquia, surgindo na sequência de um anterior peixe estilizado da mesma artista, que havia sido exibido com êxito na exposição mundial de Bruxelas, em 1958.

 

Esta figura, contudo, apenas foi criada em 1959, sob a referência 1516, vindo a ser exibida internacionalmente, pela primeira vez, em 1960, na trienal de Milão, em conjunto com o referido peixe, que tem a referência 1440. Mais do que duas peças paradigmáticas do excelente design checoslovaco, na linha da melhor tradição boémia da arte vidreira, estas figuras estilizadas são ícones incontornáveis do design modernista europeu do pós-guerra.

 

Uma característica técnica que marca esta figura, peça que hoje em dia é uma das raridades das figuras animais produzidas na Moser durante a segunda metade do século XX, reside no facto de ter sido realizada em vidro com óxido de neodímio, o que faz com que este varie de cor (neste caso, azul, turquesa, lilás) em função do tipo de luz e da incidência desta.

 

O Museu de Artes Decorativas, em Praga, República Checa, e o Corning Museum of Glass, nos EUA, ostentam peças similares no seu acervo.

 

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Garnizé

Novembro 20, 2023

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Pequeno pisa-papéis, com cerca de 9,5 cm. de altura, representando um garnizé, ou galo anão.

 

Esta figura, originalmente com cerca de 21 cm. de altura e denominada Coq Nain, foi concebida em 1928 pelo célebre joalheiro e designer de vidro René Lalique (1860-1945), como complemento para as tampas de radiador dos veículos automóveis.

 

Produzida pela empresa pelo menos até à década de 1950, em diversas cores translúcidas – ametista, azul ultramarino, branco, esta escultura foi entretanto copiada por outras fábricas europeias que a produziram como pisa-papéis de menores dimensões, havendo notícia de um exemplar verde malaquite opaco, com medidas semelhantes às do exemplar aqui apresentado, produzido pela conceituada fábrica checoslovaca Moser.

 

A firma Lalique produziu também pequenas esculturas de dimensões semelhantes, variando entre cerca de 6 e 11,5 cm. de altura, com uma base circular seccionada para permitir a inserção de cartões e o seu uso como identificadores de mesa ou porta-menus, reproduzindo diferentes aves e peixes.

 

Esta peça azul não se encontra assinada, mas provavelmente terá sido fabricada na Marinha Grande, pois conhecem-se outros pisa-papéis semelhantes, representando animais – um bulldog e uma lebre, similar à desenhada também por Lalique, mas com base hexagonal, atribuídos à sua produção.

 

Se bem que com outros motivos, os pisa-papéis representam uma tradição vidreira portuguesa que remontará pelo menos ao século XIX, tradição posteriormente ilustrada por, entre muitas outras peças, um pisa-papéis alusivo à figura da República, executado provavelmente já na década de 1930, e depois documentada, já dentro da gramática Art Déco, por um elefante estilizado alusivo à Exposição Colonial Portuguesa, realizada no Porto, em 1934, e por um outro exemplar, representando uma nau, que terá sido concebido para a Exposição do Mundo Português, realizada em Lisboa no ano de 1940.

 

 

 

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