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Vidros Portugueses & Companhia

Vidros Portugueses & Companhia

Jarra Lapidada e Gravada

Novembro 28, 2025

blogdaruanove

 

 

Jarra, com cerca de 25,2 cm. de altura e 19 cm. de diâmetro máximo, em vidro doublé branco transparente e ametista.

 

Como se pode constatar, esta jarra foi lapidada e gravada, à roda, num trabalho que muito se assemelha à tradicional produção da Boémia e à produção da fábrica belga Val Saint Lambert.

 

Os motivos cruzam a técnica tradicional da lapidação geometrizante com um tratamento floral estilizado, na gravação, que se aproxima vagamente do estilo Art Déco.

 

 

 

Em Portugal, a técnica combinada da lapidação e da gravação à roda foi também muito comum, quer na produção da Marinha Grande, quer na produção de Oliveira de Azeméis.

 

A utilização de vidro ametista, bem como o vermelho, o azul e o verde, para as peças doublé, ocorria frequentemente na Marinha Grande, ao contrário do que acontecia em Oliveira de Azeméis, onde se favorecia mais o azul e o vermelho rubi, este em detrimento do ametista, apesar de outras cores serem também produzidas.

 

 

 

Contudo, é bem verdade que a produção do Centro Vidreiro do Norte de Portugal, particularmente na sua fábrica A Boémia, apresenta formatos semelhantes a este ainda no terceiro quartel do século XX, nomedamente o formato 3100, com as dimensões de 20 cm., 30 cm. e 50 cm. de altura, e acabamentos lapidados também muito parecidos, quer na base quer no rebordo das peças.

 

 

Para além da ocorrência do vidro ametista e da diferença na altura, o que parece indiciar definitivamente ser esta uma peça da Marinha Grande é ainda uma imagem publicada, em 1942, no opúsculo A Indústria Vidreira na Marinha Grande, de Acácio Calazans Duarte (1889-1970).

 

Esta imagem da sala de exposição da Nacional Fábrica de Vidros, parcialmente reproduzida acima, ilustra um formato quase igual ao que agora se apresenta, embora ostentando motivos e lapidação diferentes.

 

 

 

© Vidros & Companhia

Saleiro e Pimenteiro

Outubro 25, 2024

blogdaruanove

 

Conjunto de saleiro e pimenteiro em vidro moldado, prensado e lapidado.

 

Na cartola, a lapidação ocorre apenas em pequenas áreas, para corrigir ou disfarçar o excesso de vidro que, de outra forma, deixaria uma costura em relevo decorrente das ínfimas fissuras de junção.

 

Nos frascos, a lapidação ocorre essencialmente na base, mas também no remate que serve para enroscar as suas tampas.

 

 

Cada um dos pequenos frascos mede cerca de 6,5 cm. de altura e 3,8 cm. de largura. A cartola mede cerca de 4,6 cm. de altura e 8,2 cm. de largura.

 

Note-se como, retirando os frascos da cartola, podemos obter uma outra peça de apoio ao serviço de mesa  um paliteiro aberto, muito comum na última metade do século XIX e nas primeiras décadas do século seguinte, peças que, entre outras fábricas, estão documentadas na produção de início do século XX da fábrica americana Cambridge, localizada no estado no Ohio.

 

 

Note-se, também, como os frascos se ajustam perfeitamente ao interior da cartola, num desenho pensado para promover um engenhoso e harmonioso conjunto de peças que permite, ainda, uma gestão racional do seu espaço de arrumação.

 

 

Para além do vidro, os paliteiros abertos foram produzidos ainda em diversos outros materiais, como a faiança, a madeira, o marfim e a porcelana.

 

Podem-se ver dois paliteiros abertos, em faiança e também com o formato de chapéus, aqui: https://mfls.blogs.sapo.pt/outras-fabricas-outras-loicas-cclxxx-364384.

 

 

 

© Vidros & Companhia

Veilleuse

Agosto 16, 2024

blogdaruanove

 

Placa decorativa, ou veilleuse, com cerca de 23,2 cm. de altura e 13,3 cm. de lagura máxima, em vidro branco translúcido biselado, com remate a dourado, e base em vidro azul translúcido.

 

A figura feminina com ave e a envolvente floral foram eximiamente gravadas à roda, com detalhada perícia, e apresentam a assinatura manuscrita Cêa Simões, antiga grafia para Ceia Simões.

 

Não se encontra grande documentação sobre a Cêa Simões, sabendo-se, no entanto, que foi uma empresa da Marinha Grande especializada em gravação sobre vidro proveniente de diferentes fábricas.

 

(Adenda - Conforme comentário registado abaixo, esta peça e a sua gravação serão da autoria de Teotónio de Cêa Simões [datas desconhecidas].)

 

 

 

Há registos de a empresa CCS, Carlos de Ceia Simões, referida como sendo uma "empresa de decoração de Vidro", ter sido fundada no início da década de 1960 e estar em situação de pré-falência em 1982, ano em que passou a ser administrada por Luís Guerra Marques (n. 1946?), que a conseguiu viabilizar a partir de 1985.

 

Depois de esta viabilização, sabe-se que a empresa esteve representada na feira de Frankfurt de 2006 e estava ainda activa em 2015, ano em que presenteou a cantora e actriz Simone de Oliveira (n. 1938) com um jarrão em vidro da Marinha Grande, lapidado pelo mestre José Matias (datas desconhecidas), ostentando uma imagem estilizada da Gare do Oriente, em Lisboa, decoração que havia sido lançada em 2013. 

 

As publicações da empresa nas redes sociais parecem ter cessado a partir de 2018 e o seu site (www.simoes.com) encontra-se actualmente desactivado.

 

Para além de se conhecerem vários frascos de perfume de toucador gravados e lapidados nesta empresa, conhecem-se várias outras peças gravadas à roda com a assinatura Cêa Simões, assinatura comercial abrangendo o trabalho de vários mestres gravadores e lapidadores, como se deprende do exemplo do mencionado jarrão, nomeadamente grandes potes com tampa representando cavalos em diferentes posições de equitação.

 

Embora a base desta peça e alguns dos frascos de perfume pareçam ser característicos de décadas anteriores, não foi possível confirmar a existência de um mestre gravador Cêa Simões em actividade num período anterior ao desta empresa homónima.

 

 

 

© Vidros & Companhia

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