Jarra moldada, com cerca de 21,3 cm. de altura, em vidro branco transparente com revestimento químico irisado.
A técnica de revestir o vidro com uma substância química que produz efeitos irisados de diferentes cores, conhecida em inglês como flashing, tornou-se muito popular na segunda metade do século XIX e assumiu particular importância em vidros da Alemanha, Áustria e Boémia, tornando-se até uma imagem de marca, na sua versão mais elaborada, com múltiplas camadas para diferentes tons e efeitos sobrepostos, de alguma produção da conceituada empresa Loetz.
Nos Estados Unidos, depois das notáveis peças criadas nas empresas Tiffany e Steuben, versões mais industrializadas, vulgares e menos dispendiosas, desta técnica, aplicadas em vidro prensado e moldado, conhecido como depression glass, nome derivado da depressão resultante do crash bolsista de 1929, tiveram um período alto na década de 1930.
Em Portugal, o vidro com este revestimento químico de uma simples camada, popularmente conhecido como casca de cebola devido ao seu tom alaranjado, teve o seu perído áureo nas décadas de 1930 e 1940, conhecendo-se também peças com revestimento irisado azul.
As peças portuguesas com este revestimento irisado, obviamente um tratamento menos dispendioso e tecnicamente menos exigente do que o do vidro doublé, tanto surgem no seu aspecto mais simples, como este, como surgem decoradas a esmalte policromado, gravadas a jacto de areia, lapidadas, ou combinando mais do que uma destas técnicas.
O formato desta jarra, em particular, não deixa de evocar as lanternas orientais ou os balões dos santos populares, das festas juninas de Santo António, São João e São Pedro, mas não deixa, também, de remeter para o Futurismo e de sugerir algumas formas mecânicas associáveis à denominada Machine Age.
A gramática formal desta peça coincide com muito do vidro moldado da Marinha Grande, resultando muito provavelmente da produção de uma das unidades fabris desta localidade
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