Jarra, com cerca de 18,6 cm. de altura, ostentando decoração floral pintada à mão e complementos a dourado, no exterior, e escorrido bicromático, azul e branco, no interior, entre duas camadas de vidro transparente.
Esta técnica encontra-se documentada na produção vidreira da Marinha Grande da década de 1930, sendo, no segundo quartel do século XX, também uma produção comum à da fábrica francesa de Clichy.
Esta técnica, reminiscente da mais refinada zwischengoldglas (literalmente, ouro entre duas camadas de vidro) setecentista, surge com mais frequência, na produção da Marinha Grande, em tons interiores de verde e branco, que também é a combinação mais vulgar na produção de Clichy.
Tal como se verifica nas peças de Clichy, existem vários formatos de jarras da Marinha Grande que combinam esta técnica decorativa com um, dois ou mais anéis exteriores moldados em relevo, formatos esses que são bem característicos da produção Art Déco.
Este estilo afirma-se aqui, essencialmente, através da exuberância cromática e da gramática floral, reminiscente daquela que a inglesa Clarice Cliff (1899-1972) aplicou na sua cerâmica e que, em Portugal, ecoa também em alguns dos motivos florais da Fábrica de Loiça de Sacavém.
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