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Vidros Portugueses & Companhia

Vidros Portugueses & Companhia

Jarra

Fevereiro 11, 2025

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Jarra, com cerca de 19,2 cm.de altura, apresentando decoração floral a esmalte e prata.

 

A pasta de vidro, que parece ser de um preto opaco, é, de facto, de um ametista profundo mas translúcido.  

 

Embora este tipo de decoração, com aplicações de prata sobre fundo escuro, não seja muito vulgar em Portugal, não é impossível que esta peça seja de produção portuguesa. 

 

 

 

A aplicação de prata na superfície do vidro, por galvanoplastia, é bastante comum em alguma produção vidreira da Boémia e dos Estados Unidos.

 

O gosto por este tipo de vidro que proporciona um fundo escuro, quase preto, surgiu no último quartel do século XIX e manteve-se, em alguns casos, até ao primeiro quartel do século seguinte, abrangendo ainda alguma produção do período Art Déco.

 

Em Portugal, embora sem grande frequência, este tipo de vidro surge ainda até à década de 1950.

 

© Vidros & Companhia

Jarra

Outubro 18, 2024

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Pequena jarra, com cerca de 7,8 cm. de altura, em vidro azul decorado com motivos vegetais aplicados em prata relevada.

 

Embora não identificada quanto à sua origem, que não é certamente portuguesa, esta peça será datável do último quartel do século XIX ou inícios do século seguinte.

 

 

 

Ao contrário do que acontece com outros exemplares, a prata não é aplicada nesta jarra através do processo químico de galvanoplastia simples, em que apenas uma fina película é depositada na superfície do vidro, mas sim através da aplicação de uma camada mais espessa, ou de várias camadas sobrepostas, que permite a gravação do metal, como é possível observar.

 

Este processo, aplicável quer ao vidro, quer à cerâmica, deu origem ao registo de várias patentes, a partir da década de 1870, na Europa e na América do Norte.

 

 

 

A maioria da produção europeia centrava-se em território de influência germânica, particularmente na zona meridional da Suábia, mas também em Inglaterra, nomeadamente através da empresa Stevens & Williams, Ltd.

 

Habitualmente, em aplicações decorativas de alta qualidade, como esta, a prata encontra-se marcada, o que não acontece neste exemplar.

 

Permanece a dúvida pois, sobre a sua origem, que tanto pode ser europeia como americana, ou uma combinação das duas, como por vezes aconteceu com algumas das peças Loetz, as quais receberam aplicações metálicas nos Estados Unidos, após a sua importação da Áustria.

 

 

 

© Vidros & Companhia

Jarra

Abril 29, 2024

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Pequena jarra dos Établissements Gallé, com cerca de 7,8 cm. de altura, ostentando assinatura correspondente a uma variante da marca Provost MkI, aplicada até 1904.

 

Este exemplar apresenta decoração à roda efectuada na camada laranja do vidro, decorrendo o seu acabamento acetinado ao tacto do facto de a peça ter sido submetida a um polimento a fogo depois desta intervenção.

 

 

 

A armação ostenta punção de prata portuguesa de 2.º toque (833 milésimas), na variante da marca octogonal aplicada no Porto e correspondente ao período de 1887 a 1937.

 

Embora o formato desta jarra Gallé seja bem conhecido e existam exemplares semelhantes em número considerável, não há registo de outro exemplar com igual decoração complementar em prata.

 

 

 

As bagas são um motivo recorrente durante o período Art Nouveau, sendo comuns tanto na produção de outras empresas vidreiras europeias como na produção de diferentes empresas cerâmicas.

 

 

 

© Vidros & Companhia

Jarra

Abril 22, 2024

blogdaruanove

 

 

Jarra moldada, com cerca de 15,6 cm. de altura, ostentando decoração minimalista com filetagem a azul e dourado, no exterior, e escorrido branco no interior, entre duas camadas de vidro transparente.

 

 

 

Como já foi referido, as jarras com estas protuberâncias, repetidas e concêntricas, são características da produção vidreira Art Déco da Marinha Grande, remetendo quer para as lanternas orientais e as lanternas dos Santos Populares, celebrados em Junho, quer para alguma gramática iconográfica associada à Machine Age.

 

 

 

A pequena jarra apresentada acima, com cerca de 8,8 cm. de altura, ostenta punção de prata portuguesa de 2.º toque (833 milésimas), na variante da marca octogonal aplicada no Porto e correspondente ao período de 1938 a 1984, e ilustra a tendência fomal das protuberâncias circulares aplicadas em várias peças decorativas e funcionais do período Art Déco.

 

 

 

© Vidros & Companhia

Jarra

Dezembro 21, 2023

blogdaruanove

 

 

Pequena jarra, com cerca de 9,4 cm. de altura no vidro, e complementos em prata com punção português utilizado entre 1887 e 1937, executada pelos Établissements Gallé, em Nancy.

 

O consagrado nome de Émile Gallé (1846-1904) transformou-se num prestigiado símbolo de excelência essencialmente associado à arte do vidro, embora Gallé tenha sido também um desenhador exímio e um artista cuja produção se associou ainda a um conjunto de luxuosa produção em marcenaria, caracterizada pelos minuciosos e requintados embutidos, à cerâmica e à pintura.

 

 

 

A Escola de Nancy, um dos epítomes do estilo Art Nouveau, movimento artístico que deve esta designação ao estabelecimento comercial La Maison de l'Art Nouveau inaugurado por Samuel Bing (1838-1905) em 1895, foi fundada em 1901 e teve Émile Gallé como seu primeiro presidente.

 

A produção francesa de vidro artístico durante o período Art Nouveau não terá tido nome mais consagrado que o de Gallé, embora os também célebres irmãos Daum (Antonin, 1864-1931, e Auguste, 1853-1909) tenham criado peças de design e qualidade técnica semelhante.

 

Foi já no período Art Déco que, no âmbito do vidro artístico, surgiu um rival com celebridade à altura, René Lalique (1860-1945), o qual já se havia consagrado com espantosas criações de joalharia e ourivesaria durante o período Art Nouveau. Numa escala mais artesanal e reduzida, Gabriel Argy-Rousseau (1885-1953) concebeu peças igualmente notáveis entre meados da década de 1910 e finais da década de 1930.

 

Na empresa de Gallé chegaram a laborar centenas de operários, muitos dos quais atingiram especializações únicas, com dotes técnicos e artísticos ímpares. Um dos artesãos que mais se terá destacado pela qualidade da sua obra foi Paul Nicholas (1875-1952), que entrou para as oficinas Gallé em 1893 e ali permaneceu até 1919. Posteriormente criou a sua própria empresa, entre 1919 e 1923, vindo depois a colaborar com a empresa Cristalleries de Saint-Louis, em Nancy, conhecida mais tarde como D'Argental.

 

 

 

Embora esta pequena jarra não tenha sido submetida a um polimento final a fogo, o que lhe conferiria uma suavidade ao toque e uma superfície brilhante, apresenta, ainda assim, características que atestam a sua superior qualidade, como a combinação de gravação a ácido e à roda e a presença de diversas camadas sobrepostas de vidro – branco translúcido, verde, azul e rosa no interior.

 

A consagração do nome Gallé e a enorme procura das suas peças originou, no último quartel do século XX, o aparecimento de inúmeras falsificações e de associações espúrias ao seu nome, muitas vezes acompanhadas da abreviatura "Tip", que pretenderão indicar que as peças serão do tipo Gallé, um subterfúgio que não evita ambiguidades e dispendiosas decepções para os coleccionadores menos avisados.

 

 

As marcas presentes nas peças Gallé correspondem a diversos períodos, mas poderão definir-se três grandes fases na sua aplicação – as marcas aplicadas durante a sua vida, até 1904; as marcas aplicadas imediatamente após a sua morte, durante a primeira parte do período de administração de sua viúva, Henriette Gallé-Grimm (1848-1914), que incorporou um asterisco, adjacente à assinatura, entre 1905 e 1908; e as marcas aplicadas entre 1908 e 1936.

 

De acordo com os estudos especializados do académico Samuel Provost (datas desconhecidas) sobre a produção de Gallé, e a sistematização por si estabelecida, que identifica dez períodos e dez marcas-tipo que poderão apresentar pequenas variantes, esta assinatura corresponderá ao tipo MkIII, aplicado entre 1908 e 1920.

 

 

 © Vidros & Companhia

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